Ressaca

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

4 PERSONAGENS : 2 homens e 2 mulheres

Pedro e Maria convidaram para um aperitivo um casal que conheceram num restaurante e com quem mal simpatizaram. Mas desde então, todos tiveram tempo para descontrair, e percebem que não têm muito em comum para partilhar. A noite promete ser longa. A menos que…


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Quando o verniz social se dissolve no álcool

Depois de simpatizarem num restaurante durante uma noite bem regada, dois casais que têm tudo para se opor voltam a encontrar-se à volta de um novo aperitivo. Já sóbrios, uns e outros percebem que nada têm em comum e começam de imediato a lamentar o convite. O que deveria ter sido um encontro sem consequências transforma-se no confronto entre dois meios sociais que se olham com igual condescendência.

O mecanismo cómico assenta no desaparecimento progressivo das convenções sociais. À medida que o champanhe dá lugar ao pastis, o embaraço transforma-se em hostilidade e depois numa familiaridade cada vez mais perigosa. Os apartes, as mudanças de alianças e as confidências favorecidas pelo álcool revelam em cada personagem aquilo que a boa educação mantinha até então em silêncio.

Sob a aparência de uma farsa popular, a peça propõe uma sátira feroz dos preconceitos sociais e da respeitabilidade conjugal. Cada casal julga ver no outro uma caricatura, antes de descobrir que partilham as mesmas frustrações, os mesmos ressentimentos e, por vezes, os mesmos impulsos. A mistura de pastis e champanhe torna-se assim a metáfora de uma aproximação improvável e explosiva, sustentada por quatro papéis equilibrados num espaço fechado de ritmo intenso.