Comédia de Jean-Pierre Martinez
Tradução pelo próprio autor
4 PERSONAGENS : 2 homens e 2 mulheres
Fugindo do estresse da vida parisiense, Adão e Eva se instalaram em uma antiga fazenda onde, para quebrar um pouco o isolamento e complementar sua renda, eles prepararam uma casa rural. Mas seu primeiro casal de clientes chega e logo descobrirão que neste pequeno pedaço do paraíso, o inferno são os hóspedes…
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O inferno são os outros hóspedes…
Alban e Ève deixaram Paris para se instalarem numa quinta isolada, onde abrem um alojamento de turismo rural. No entanto, basta a chegada dos primeiros hóspedes, Jacques e Bernadette, um casal de peregrinos aparentemente inofensivo, para perturbar a sua tranquilidade. Um objeto entrevisto dentro de um saco, algumas histórias inverosímeis e comportamentos ambíguos depressa despertam suspeitas.
O mecanismo cómico assenta numa desconfiança rigorosamente recíproca. Alban e Ève observam os hóspedes e interpretam o mais pequeno pormenor como um sinal inquietante; mas Jacques e Bernadette olham para os anfitriões exatamente da mesma maneira. Os dois casais tornam-se assim espelhos deformadores um do outro: cada um julga descobrir nos outros uma estranheza cujo equivalente não consegue reconhecer em si próprio. Por detrás das convenções da hospitalidade, vão pouco a pouco surgindo ressentimentos conjugais, preconceitos, fantasias e as pequenas loucuras de cada um.
Quando Jacques e Bernadette se apresentam como «clientes-mistério», enviados incógnitos para avaliar a qualidade do acolhimento, o jogo de olhares inverte-se: aqueles que eram observados tornam-se observadores. Mas, longe de dissipar as dúvidas, esta explicação mantém até ao fim a incerteza sobre aquilo que é real, inventado ou simplesmente imaginado. Sob a aparência de uma exuberante comédia de costumes e de personagens, Bed and Breakfast mostra assim até que ponto o medo do outro se alimenta das nossas próprias projeções. O paraíso rural sonhado por Alban e Ève transforma-se pouco a pouco num lugar onde cada um acaba por revelar mais sobre si próprio do que sobre aqueles que pretende julgar.
