Denominação de Origem não Controlada

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

4 PERSONAGENS : 2 homens e 2 mulheres

Diane apresenta Karim, seu noivo, aos seus pais. Irritado com a atitude bastante condescendente dos futuros sogros, muito orgulhosos de sua ascendência francesa que remonta à Idade Média, Karim desafia Diane a provar a pureza de suas origens étnicas por meio de um teste de DNA. Este teste, com resultados inesperados, desencadeará uma reação em cadeia…


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Uma comédia que ridiculariza o mito da nobreza das origens

Diane anuncia aos pais que vai casar com Karim, um francês de origem marroquina. Nesta família católica e conservadora, muito orgulhosa de uma ascendência francesa que supostamente remontaria à Idade Média, a notícia é recebida com uma reserva difícil de esconder. Irritado com esses preconceitos, Karim desafia Diane a verificar, através de um teste de ADN, a «pureza» das suas próprias origens. O que deveria ser uma simples provocação acaba por abrir uma caixa de Pandora e abalar algumas certezas bem sólidas.

A peça assenta num mecanismo cómico particularmente eficaz. A partir do anúncio de um casamento e de um simples teste de ADN, as revelações sucedem-se e redistribuem constantemente os papéis. Aqueles que olhavam com desconfiança para as origens dos outros descobrem que a sua própria história familiar é muito menos simples do que imaginavam. E o próprio Karim, que julgava poder dar uma lição à sua futura família política, acaba por ficar preso no seu próprio jogo.

Por detrás dos mecanismos da comédia de boulevard e dos equívocos identitários, a peça coloca, no entanto, uma verdadeira questão: o que é que faz uma família? A resposta mais comovente vem, paradoxalmente, de Édouard, a personagem que inicialmente parece mais presa à genealogia e à continuidade de uma linhagem. Revela que sempre soube que Diane não era sua filha biológica, mas que nunca a considerou de outra forma senão como sua filha. A filiação surge então menos como uma questão de cromossomas do que como uma história de amor, de escolha e de transmissão.

A peça leva assim até ao fim o seu jogo de embaralhamento das pertenças: francesa, árabe, católica, muçulmana ou judaica, cada identidade que se julgava bem estabelecida revela-se mais incerta ou mais compósita do que parecia. E quando Diane anuncia finalmente que está grávida, a questão das origens dá lugar à do futuro. Depois de passarem toda a peça a tentar descobrir de onde vêm, as personagens talvez compreendam finalmente que o essencial é saber o que querem transmitir.