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O Joker

Comédia de Jean-Pierre Martinez

tradução pelo próprio autor

2 PERSONAGENS

2 homens ou 2 mulheres. Para obter uma versão com 2 mulheres, basta alterar os sexos de todos os personagens da peça.

Um argumentista com falta de computador e inspiração vê surgir diante dele um técnico estranho. Todos nós temos direito a um Joker…


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O jackpot

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

9 PERSONAGENS
5H/4M, 4H/5M, 3H/6M, 2H/7M

Após um acidente de carro envolvendo uma carruagem funerária, a chegada de um caixão contendo um bilhete de loteria em um bar é o enredo de uma comédia muito engraçada.


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O café como teatro da vida

No Café des Sports, um café popular situado em frente ao cemitério, um acidente entre uma carrinha e um carro funerário obriga dois funcionários da agência funerária a deixar provisoriamente o caixão de Marcel na cozinha. Ao mesmo tempo, fica-se a saber que no estabelecimento foi vendido um bilhete de lotaria premiado com 75 milhões de euros. Quando todos se convencem de que o falecido poderá ser o feliz contemplado, as preocupações fúnebres dão rapidamente lugar a uma verdadeira caça ao tesouro.

A peça assenta numa mecânica coral de grande precisão. As personagens entram e saem continuamente, enquanto os objetos circulam, desaparecem ou mudam de dono: um telemóvel, umas chaves, um teste de gravidez, um bilhete de lotaria. O caixão torna-se o centro deste movimento incessante e acaba por recolher tudo aquilo que os vivos vão perdendo. Os mal-entendidos, as pistas falsas e as reviravoltas sucedem-se até transformar o café numa verdadeira máquina de produzir desordem.

Este café funciona também como um pequeno teatro social. Cada um expõe ali as suas frustrações, os seus segredos e os seus sonhos de fuga: encontrar o amor, tornar-se escritor, abandonar a profissão ou ganhar uma fortuna. O bilhete de lotaria cristaliza a esperança de escapar subitamente a uma existência banal. Mas o acaso não respeita qualquer ideia de justiça: a riqueza pode calhar a quem não precisa dela, chegar demasiado tarde ou passar de mão em mão sem que ninguém saiba a quem pertence verdadeiramente.

O humor negro dessacraliza a morte sem negar a sua presença. Neste café situado entre a cidade e o cemitério, os funerais, as histórias de amor, as notícias do jornal e as rodadas de calvados pertencem ao mesmo movimento. O caixão transforma-se em balcão e a cerimónia fúnebre acaba por se converter em festa. Ao fazer com que seja o próprio morto a pedir um último copo, a peça recorda, por fim, que a vida é uma lotaria cujo número vencedor ninguém conhece de antemão.

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Cenas de rua

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

COMÉDIA DE ESQUETES

A rua é um palco ao ar livre onde por vezes ocorrem histórias estranhas…


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O passeio, palco aberto da comédia social

No mesmo passeio cruzam-se transeuntes, estudantes, trabalhadores do sexo, sem-abrigo, manifestantes, varredores de rua e até um banqueiro e a sua empregada doméstica. Ao longo de catorze sketches, cada encontro parte de uma situação quotidiana antes de resvalar para o mal-entendido, a inversão ou o absurdo. O cenário único e a distribuição flexível transformam assim a rua num palco aberto por onde desfila toda uma comédia humana.

As cenas são autónomas, mas certos lugares, números e personagens reaparecem discretamente. A vidente, o totoloto, o número 13 ou os objetos perdidos criam uma continuidade subterrânea entre histórias aparentemente independentes. Esta construção confere à coletânea a unidade de um bairro imaginário, povoado por indivíduos que convivem sem se reconhecerem sempre uns aos outros. O facto de o mesmo ator poder interpretar vários papéis reforça ainda mais a impressão de uma humanidade em constante mudança, por detrás da qual se repetem os mesmos comportamentos.

A mecânica cómica assenta em grande parte na linguagem. Expressões como «homem da rua», «estar na rua», «varrer diante da própria porta» ou «ir até ao fim da rua» são tomadas à letra e tornam-se o ponto de partida para raciocínios perfeitamente lógicos, mas levados até ao absurdo. A estes jogos de palavras juntam-se constantes inversões: os adultos tornam-se animais de estimação das crianças, um consultor financeiro arruinado tenta vender um novo negócio a uma antiga vítima, enquanto os manifestantes já nem sabem exatamente o que estão a defender.

Sob a fantasia desenha-se uma sátira social mais sombria. Em princípio, o passeio pertence a todos, mas nem todos ocupam nele o mesmo lugar: os ricos alimentam a nostalgia sem reparar no sem-abrigo, o banqueiro invoca a crise para explorar ainda mais a empregada doméstica e os excluídos tornam-se pouco a pouco invisíveis. O último sketch dá uma forma literal a este desaparecimento ao reunir personagens que ninguém consegue ver, ouvir ou cheirar. A rua transforma-se então numa metáfora do mundo social, mas também do próprio teatro: um lugar onde existir significa, antes de mais, conseguir ser visto e ouvido.

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Sem flores nem coroas

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

5 PERSONAGENS
Todos os papéis podem ser interpretados por homens ou mulheres

A cremação de Jesus está agendada para as 15h35 em ponto. Alguns parentes estão presentes na cerimônia, poucos, porque o querido falecido não deixa apenas boas lembranças. Mas um autor, diz-se, continua vivendo através de suas obras. E se este funeral se revelar sua melhor comédia?


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A representação não está cancelada

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

8 PERSONAGENS
1H/7M, 2H/6M, 3H/5M, 4H/4M, 5H/3M, 6H/2M, 7H/1M

Um grupo de atores se prepara para entrar em cena em uma peça sobre as últimas horas de vida de Molière. Nada está pronto e as dificuldades estão se acumulando. Até mesmo o roubo da arrecadação do dia… Deveriam cancelar a função e precipitar assim a ruína deste teatro à beira da falência, ou jogar a qualquer custo?


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Cuidado frágil

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

3 PERSONAGENS : 2 homens e 1 mulher

Após o seu último rompimento amoroso, Fred jurou ao seu melhor amigo que nenhuma garota dormiria em sua casa até o final do ano. Alguns meses depois, ele estava a caminho de ganhar a aposta. Mas na véspera de Natal, você nunca está seguro contra uma surpresa.


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Quando o amor transforma uma mentira em verdade

Attention fragile parte, antes de mais, de um mecanismo de comédia muito simples. Depois de vários fracassos amorosos, Fred aposta com o amigo Sam que nenhuma mulher dormirá em sua casa antes do fim do ano. A poucos dias do prazo, recebe, no entanto, uma entrega inesperada: em vez do frigorífico que aguardava, sai da caixa uma jovem que afirma ter fugido da Bielorrússia. A aposta ganha então outra dimensão: para cumprir a sua palavra, Fred teria de pôr na rua uma mulher que diz estar em perigo.

A situação complica-se pouco a pouco e transforma a comédia num verdadeiro jogo de enganos. Natacha é, na realidade, Charlotte, uma atriz contratada por Sam para fazer Fred perder a aposta. Mas Fred percebe bastante depressa que é vítima de uma encenação e decide, também ele, desempenhar um papel. A partir daí, cada um acredita estar a manipular o outro, ao mesmo tempo que aceita deixar-se levar pela ficção. Sam pensava ter escrito o guião; as suas personagens acabam por lhe escapar ao controlo.

É aqui que a peça ultrapassa a simples mecânica da comédia de boulevard. Charlotte representa Natacha, Fred representa aquele que acredita em Natacha, e a peça escrita por Sam faz eco da história que eles próprios estão a viver. O teatro torna-se assim o motor da relação amorosa: cada um avança mascarado, cada um finge acreditar, até ao momento em que o jogo acaba por produzir sentimentos muito reais.

O título adquire então um sentido mais amplo. «Attention fragile» designa primeiro a caixa do frigorífico e depois aquilo que está em jogo entre as personagens: a confiança, o desejo, os sentimentos. Uma mentira inventada para ganhar uma aposta acaba por criar uma relação verdadeira. A última réplica resume esta ideia com simplicidade: quando duas pessoas escolhem acreditar juntas na mesma ficção, essa ficção pode acabar por se tornar a sua verdade — e talvez até uma definição do amor.

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Denominação de Origem não Controlada

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

4 PERSONAGENS : 2 homens e 2 mulheres

Diane apresenta Karim, seu noivo, aos seus pais. Irritado com a atitude bastante condescendente dos futuros sogros, muito orgulhosos de sua ascendência francesa que remonta à Idade Média, Karim desafia Diane a provar a pureza de suas origens étnicas por meio de um teste de DNA. Este teste, com resultados inesperados, desencadeará uma reação em cadeia…


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Uma comédia que ridiculariza o mito da nobreza das origens

Diane anuncia aos pais que vai casar com Karim, um francês de origem marroquina. Nesta família católica e conservadora, muito orgulhosa de uma ascendência francesa que supostamente remontaria à Idade Média, a notícia é recebida com uma reserva difícil de esconder. Irritado com esses preconceitos, Karim desafia Diane a verificar, através de um teste de ADN, a «pureza» das suas próprias origens. O que deveria ser uma simples provocação acaba por abrir uma caixa de Pandora e abalar algumas certezas bem sólidas.

A peça assenta num mecanismo cómico particularmente eficaz. A partir do anúncio de um casamento e de um simples teste de ADN, as revelações sucedem-se e redistribuem constantemente os papéis. Aqueles que olhavam com desconfiança para as origens dos outros descobrem que a sua própria história familiar é muito menos simples do que imaginavam. E o próprio Karim, que julgava poder dar uma lição à sua futura família política, acaba por ficar preso no seu próprio jogo.

Por detrás dos mecanismos da comédia de boulevard e dos equívocos identitários, a peça coloca, no entanto, uma verdadeira questão: o que é que faz uma família? A resposta mais comovente vem, paradoxalmente, de Édouard, a personagem que inicialmente parece mais presa à genealogia e à continuidade de uma linhagem. Revela que sempre soube que Diane não era sua filha biológica, mas que nunca a considerou de outra forma senão como sua filha. A filiação surge então menos como uma questão de cromossomas do que como uma história de amor, de escolha e de transmissão.

A peça leva assim até ao fim o seu jogo de embaralhamento das pertenças: francesa, árabe, católica, muçulmana ou judaica, cada identidade que se julgava bem estabelecida revela-se mais incerta ou mais compósita do que parecia. E quando Diane anuncia finalmente que está grávida, a questão das origens dá lugar à do futuro. Depois de passarem toda a peça a tentar descobrir de onde vêm, as personagens talvez compreendam finalmente que o essencial é saber o que querem transmitir.

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O Cheiro do Dinheiro

Comédia de Jean-Pierre Martinez

Tradução pelo próprio autor

4 PERSONAGENS : 2 homens e 2 mulheres

Frederico, um pintor sem dinheiro, rejeita, por amor-próprio, o dinheiro sujo deixado por seu pai após o seu desaparecimento. Mas ao recusar com orgulho esta herança deixada por um pai que o abandonou quando tinha cinco anos, ele entra em conflito com sua parceira e sua irmã, menos escrupulosas sobre a origem dessa fortuna inesperada, ambas com boas razões para não a deixar escapar. Quem é realmente esse homem que lhes oferece dez milhões em troca de uma simples assinatura e qual é a origem exata desses fundos? Cada um tem a sua própria verdade…


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TEATRO DENTRO DO TEATRO

Fala-se de ‘teatro dentro do teatro’ quando a obra, a cena, a cena curta ou o sketch têm como tema o jogo teatral em si mesmo.

Nesse caso, pode-se testemunhar uma mise en abyme: durante a peça, a cena teatral se transforma por um tempo no teatro de outra obra interpretada por alguns dos atores, à qual assistem os outros atores interpretando o papel do público. Shakespeare (Hamlet) e Molière (L’Impromptu de Versailles) utilizaram esse recurso.

Também é possível presenciar uma desviação dos códigos e convenções do teatro tradicional: o quarto muro desaba, os atores interpretam seus próprios papéis e falam de seus problemas pessoais dirigindo-se diretamente ao público e envolvendo-o; o autor, o diretor, o encenador ou até mesmo os espectadores intervêm no espetáculo; as pessoas, o espaço e o momento reais da representação tornam-se os personagens, o local e o tempo do espetáculo, a ponto de os verdadeiros espectadores acabarem por não saber o que é ficção e o que é realidade. »

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